quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Se você que está lendo tiver alguma duvida, pode pergundar que vou tentar de responder e também pode sugerir temas que esteja com vontade de saber mais. Toda semana estarei postando assuntos novos.....
Bejinhos
da Vanessa Thalita

O Brincar da Criança


A ludoterapia consiste na análise da criança através dos seus brinquedos, uma vez que a criança desloca para o exterior seus medos e ansiedades.

Para Rodulfo (1990) o brincar apresenta-se como uma função essencial, pois à medida que por meio deste a criança pode se curar por si mesma.

Segundo Golfeto (1999) o livre brincar e desenhar, incluindo os jogos substituem muitas vezes, e ou completamentam as verbalizações, uma vez que esse são os meios naturais de expressão na criança. A atividade lúdica está intimamente ligada á tendências de comunicar-se através da expressão corporal e da atividade motora.


Para esse autor a brincadeira desempenha um papel significativo para criança, no teste de realidade e na expansão de seus domínio. Consiste também uma forma de comunicação. O terapeuta fala com ela através de jogos. O padrão de jogo dramatiza a experiências emocional da criança, seus conflitos, suas culpas e medos e , assim, reflete o que é real e o que é fantasia.

Assim através da brincadeira, a criança tem a possibilidade de experimentar novas formas de ação, exercitá-las, ser criativa, imaginar situações e reproduzir momentos e interações importantes de sua vida, resignificando-os. Os jogos e as brincadeiras são uma forma de lazer no qual estão presentes as vivências de prazer e desprazer. Representam uma fonte de conhecimento sobre o mundo e sobre si mesmo, contribuindo para o desenvolvimento de recursos cognitivos e afetivos que favorecem o raciocínio, tomada de decisões, solução de problemas e o desenvolvimento do potencial criativo. A brincadeira assume um papel essencial porque se constitui como produto e produtora de sentidos e significados na formação da subjetividade da criança.


Neste sentido Jerusalinsky (1995) aponta que cada brinquedo escolhido pela criança no brincar deve ser tomado como substituto do objeto que causa o desejo e, por isso, como objeto de gozo e ao mesmo tempo significante da falta. Mas para que algo seja significante, segundo Rodulfo (1990), deve se repetir, e nessa repetição do significante conduzir a uma direção, que seria a direção das funções simbólicas da criança por meio dos jogos e grafismo.



No brincar a criança exprime seu mundo simbólico, que para Augras(1980) implica, em primeiro lugar a um contexto do esquema simbólico do grupo social a qual pertence, família, religião, idade entre outros.


Por tanto é importante deixar que a criança brinque e repita a brincadeira quantas vezes for necessário para a elaboração de seus processos interno. Quanto mais a criança brincar mais organizada internamente ela ficará. É claro que a criança também precisa entender que há momento para tudo e limite é fundamental ( mais este é um outro assunto). Se os pais puderem participar da brincadeira em algum momento, ajudará a criança e favorecerá o estabelecimento de vinculos, contribuindo para seu bom desenvolvimento no presente e no futuro.
autora
Vanessa Thalita Romanini Amadeu
Psicóloga
CRP- 08/11867

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Mãe e seu Bebê na UTI-Neonatal

Atualmente há um número elevado de nascimentos precoces,e estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que anualmente nascem no mundo 20 milhões de bebês prematuros, um terço dos quais morre antes de completar um ano de vida. No Brasil, segundo o jornal Folha de São Paulo, cerca de 60% dos bebês que nascem prematuros sobrevivem graças ao contato mais
intenso entre a mãe e o filho no período de hospitalização.
Assim, há um interesse cada vez maior em se compreender a importância da presença da mãe na UTI neonatal e de que forma essa intervenção atua no desenvolvimento do recém-nascido prematuro e de baixo peso.

Estudos já realizados, como os de Klaus e Kennell (1992), Bee (1996) e Bowbly (1984), enfatizam a importância de se estabelecer uma relação entre a mãe e o bebê, com base em um vínculo afetivo, já que este contato mais íntimo permite ao bebê um sentimento de proximidade e segurança, além de estimular mecanismos sensoriais e imunológicos que irão repercutir de forma decisiva no seu desenvolvimento.
Quando nasce, o bebê prematuro perde semanas de estimulação no útero materno, e devido às complicações trazidas por esta situação, o neonato deve ser levado às instalações tecnológicas de uma UTI neonatal, para uma incubadora, cuja função Davidoff (2000) define muito bem: permite manter a temperatura, a umidade e o oxigênio, além de prevenir infecções; porém priva a criança de outro tipo de estimulação.
Para Cunha (2004), o recém-nascido, na UTI, está imerso no isolamento e solidão da incubadora, que o impede de criar um espaço psíquico com uma figura receptora de sua angústia, que possa ajudá-lo a organizar seu ego. Para o bebê a incubadora fará o papel de placenta materna, porém isso não o impede de receber estímulos, muitas vezes percebidos de forma negativa, pois não há contado direto com a mãe. Isso porque a vida na UTI é muito diferente da do útero materno e traumática para o bebê; tanto que Wirth ( 2003 ) afirma que a vida na UTI é hiperestimulante e que o bebê pode senti lá certa agressividade, já que a luz é forte, os ruídos são desconhecidos e os cuidados são dolorosos.

Não obstante, existem autores, como Spitz (2000), segundo os quais o recém-nascido não reconhece o mundo externo, pois seu aparelho perceptivo é protegido do mundo exterior por uma “barreira de estímulos”. O próprio Spitz levanta a hipótese de que os estímulos vindos de fora só são percebidos quando seu nível de intensidade excede o limite normal da barreira de estímulos, o que destruiria a quietude do recém-nascido, fazendo-o reagir violentamente a esse desprazeres. Se levarmos em consideração a afirmação de Wirth (2003) de que o bebê sofre na UTI, em média, 130 manuseios por dia e os sons de uma UTI giram em torno de 80 db , ou seja, está exposto a uma quantidade de estímulos excessivos, podemos levantar a hipótese de que os estímulos vindos da UTI rompem com esta “barreira de estímulos” descrita por Spitz, e isso destrói a quietude do recém-nascido prematuro e o leva a perceber o mundo externo, podendo assim sentir a mãe e reconhecê-la, já que não a tem mais como parte de si.
Outra pesquisadora do assunto, Gandra (2003), afirma que o bebê prematuro é hipersensível a estímulos sensoriais, o que pode ser estressante, pois desde muito cedo, ainda na vida fetal (entre o quarto e o sexto mês) o bebê já apresenta certas funções básicas desenvolvidas, como, por exemplo, a audição.
Voltando aos estudos de Spitz (2000), encontra-se a afirmação de que a mãe é um mecanismo importante para proteger o recémnascido dos estímulos externos. Com esta afirmação o autor está nos apontado que a mãe impede que o bebê tenha uma estimulação altamente carregada. Esse selecionar de estímulos é uma necessidade para o recém-nascido que ainda não apresenta suas estruturas psíquicas (isso é, o eu e o supereu) totalmente organizadas. Em face disso pode-se perceber que o isolamento de um bebê em relação a sua mãe em uma UTI não é necessariamente positivo, pois com o rompimento da “barreira de estímulos” o bebê sente o mundo externo e precisa de um mecanismo que o proteja. Destarte, inserir a mãe na unidade de terapia intensiva é um aspecto importante para o bebê.
autora
Psicologa Vanessa Thalita Romanini Amadeu
CRP- 08/11867